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Empatia das crianças

Publicado em 05/04/2017 10:03
Categoria: Educação
Empatia das crianças

Segundo especialistas, a habilidade de se colocar no lugar do outro não é uma característica individual que depende apenas de fatores genéticos – ao contrário, os fatores ambientais têm influência maior.

 

“Desde o nascimento, a gente consegue observar comportamentos que seriam uma espécie de precursores da empatia, como o choro reativo de um bebê ao ouvir outra criança chorando. Essa situação demonstra uma capacidade de perceber o outro. Mas é a partir do primeiro ou segundo ano de vida que os fatores ambientais, como a interação com os pais, começam a preponderar no desenvolvimento da empatia”, explica Christian Kristensen, professor do programa de pós-graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

 

Se a maioria dos adultos nem lembra as experiências dos primeiros anos de vida, afinal, por que essa é uma das fases mais importantes do desenvolvimento emocional? É na primeira infância, período entre os 0 e 6 anos, que o nosso cérebro passa pelo maior número de conexões neuronais (sinapses), criando uma janela de oportunidade para o aprendizado.

 

“Do ponto de vista neurológico, tudo que você não vai ativando com estímulos, você vai perdendo conexões”, explica Maria Beatriz Linhares, psicóloga e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Em outras palavras, se a área do cérebro responsável por habilidades emocionais como a empatia não é devidamente estimulada na infância, fica mais difícil desenvolvê-la depois, na idade adulta.

 

“Até os 3 anos, temos um alicerce importante no desenvolvimento de várias áreas, inclusive a afetiva. E os estímulos que a criança recebe do ambiente fazem uma grande diferença”, diz a psicóloga.

 

Atitudes prejudiciais. Comportamentos parentais muito autoritários ou permissivos são igualmente prejudiciais no desenvolvimento da empatia. “O ideal é um comportamento no qual os pais impõem regras, mas explicando o porquê delas.” diz Kristensen. É por isso que o primeiro passo no desenvolvimento da empatia é o de compreender sentimentos.

 

Para desenvolver a habilidade:

Comportamento - A forma com que os pais interagem com a criança deve priorizar o diálogo, a explicação das regras e de como elas são importantes para o bem comum. Os cuidadores devem ter autoridade, mas sem assumir uma postura autoritária. Pais permissivos, por outro lado, são vistos como inconsistentes pelos filhos, que, diante de regras muito flexíveis, enxergam apenas seus próprios desejos e necessidades.

 

Socialização - O contato com diferentes pessoas, além dos integrantes do núcleo familiar, é importante para que a criança conheça novos cenários, comportamentos e regras. A educação infantil, portanto, tem uma importância muito maior para o desenvolvimento da criança do que apenas o cuidado e a proteção que ela oferece no período de trabalho dos pais.

 

Conflitos - Em uma briga com o irmão, um colega ou os próprios pais, os responsáveis devem evitar ameaças e punições para convencer a criança a não repetir a ação. Esse argumento faz a criança olhar ainda mais para si. Explique as consequências que o ato teve na outra pessoa e por que ele não deve ser repetido.

 

Soluções - Além de tentar fazer a criança se colocar no lugar do outro e explicar as consequências dos atos, é necessário apresentar alternativas àquela ação.

 

Literatura - Contar histórias para as crianças, mesmo as muito pequenas, é dar a elas a oportunidade de vivenciar situações inéditas, se colocar no lugar dos personagens, entender diferenças e conhecer novas formas de resolução de conflitos que poderão ser reproduzidas em situações reais.

 

Fonte: Estadão Educação.

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